3 de fevereiro de 2012

Auto-terapia

Quando penso que agora deveria estar dormindo, mas prefiro escrever, me dou conta da importância de conversar comigo mesmo. E quando lembro que comprei um iPod, mas quase nunca o uso, porque em meus poucos momentos livres gosto de mergulhar fundo nos meus pensamentos, então me dou conta de que eu sou minha melhor psicóloga.

Toda vez que paro, e fico em silêncio, e pouso meu olhar em algum lugar bem longe... estou pensando, procurando conclusões, soluções, ou revendo conceitos. Às vezes parece que, de alguma maneira, meu cérebro se divide em dois para debater. E mais impressionante é que, dentro dos meus próprios voos, discordo de mim, sugiro uma nova ótica sobre as coisas e, vez ou outra, aceito uma mudança de ideia.

Fico imaginando se todos têm esses momentos de devaneios lógicos, de questionamentos conclusivos. Pensar, repensar, escrever e ler várias vezes são, para mim, as melhores maneiras de passar pensamentos a limpo.

Se algum dia você me vir por aí, no ônibus, na rua, e eu não responder ao seu cumprimento, e parecer longe... não se preocupe. Não é falta de educação. Estou fazendo auto-terapia.

1 de dezembro de 2011

Notas sobre a noite

Hoje, por falta de postagens neste blog, decidi tirá-lo do ar. Na verdade, já tomei essa mesma decisão algumas vezes, mas nunca consegui. Volto, leio os textos e eles me despertam tantos sentimentos e me levam a tantos lugares. Então mudei de ideia e decidi não apagar, seguindo o que um amigo me disse: “textos não envelhecem, apenas ganham novas perspectivas, novas leituras”.

Este mesmo amigo também me mandou vir escrever aqui, aproveitar meu momento de ócio (“enquanto você está aí de bunda para cima”, foram as palavras exatas) e disse que antes de dormir a alma está mais aberta.

Então eu fiquei pensando nisso e concordei. Já reparou como de manhã todos são mais contidos e de noite mais abertos, despojados? Não é a toa que nós trabalhamos de manhã e saímos com os amigos à noite. Eu já teria perdido a maioria dos meus amigos se eles precisassem conviver comigo todas as manhãs...

Fato é que depois de um longo dia em que muitas coisas acontecem, realizações e decepções, tudo isso toma conta da sua cabeça. E de noite, antes de dormir, você repassa aquele filminho... e às vezes fica muito feliz, e às vezes muito triste. E aí você sente vontade de falar com alguém, ou de ficar quieto com alguém, ou de ficar quieto com você mesmo, conversando com seus pensamentos e se convencendo de que não importa o quão bom ou ruim foi o hoje, amanhã será melhor.

Embora eu goste das manhãs, do sol e do céu azul, a noite me fascina. Gosto de ver o sol se pôr e a lua é um espetáculo que faço questão de admirar. À noite os sentimentos ficam mais em evidência, a saudade fica mais forte, tudo fica mais intenso. As cores da noite, os cheiros, tudo me parece mais verdadeiro. Sob o risco de soar ambígua, acho mesmo que sou uma mulher da noite.

Pôr-do-sol na praia de Kaanapali, na ilha de Maui, Hawaii

6 de junho de 2011

O doce veneno da incoerência

Acho graça (no melhor estilo vamos rir pra não chorar) que um governador como o do Rio de Janeiro seja tão mal assessorado a ponto de dar declarações que não passam de tiros no pé. Ele classificou os bombeiros que invadiram o quartel central para exigir melhores salários como "imprudentes, vândalos irresponsáveis" e apoiou sua crítica principalmente no fato de alguns terem levado seus filhos ao protesto.

Caro governador, vamos gastar alguns segundos para raciocinar de forma lógica? Se os bombeiros foram irresponsáveis por levar os filhos ao protesto, como devemos chamar o homem que mandou a tropa de choque atacar um local cheio de crianças com bombas e gás lacrimogêneo? Prudente e responsável são adjetivos que não parecem caber bem...

Sem entrar nos méritos éticos, sociais e salariais da questão, fico por aqui. Mais sobre o caso na Folha de S. Paulo.

25 de maio de 2011

Estágios da volta pra casa

E aí você chega ao país que deveria ser familiar e se sente um peixe fora d’água. Tudo o que você achava comum por ser essencialmente brasileiro começa a ser irritante: excesso de gente, trânsito, barulho, lixo na rua... Depois de um tempo, porém, você volta a enxergar as coisas boas e o piripaque passa. Não há nada como ter amigos e amores perto de você e se pra isso você tiver que catar uns papeis de bala na rua, assim será.

Começa então a segunda fase: onde você estava com a cabeça quando pediu demissão para brincar de estudar e agora voltar uma pessoa desempregada? Mais um pouco de piripaque e você se lembra dos amigos maravilhosos, das trocas de experiências, do seu inglês super-mega-blaster, do curso bacanudo e do estágio incrível. Ufa, passou!

O terceiro estágio entra em cena: a busca desesperada pelo emprego ideal, aquele que vai trazer o retorno do seu investimento, aquele onde você vai crescer e que atende a listinha de exigências que você montou durante as férias o curso. Mas aí vem a vida real – essa que ninguém gosta, mas que insiste em aparecer – e coloca seus pés no chão.

Essa é a fase em que me encontro agora. Busco um novo emprego, um que me faça feliz e que vá de encontro a pelo menos parte da minha listinha. Aguardo ansiosamente a ansiedade ansiosa do primeiro dia de trabalho, onde tudo é desconhecido e os desafios são enormes. Mas enquanto isso não acontece, fico por aqui sonhando com o meu emprego perfeito. Afinal, sonhar é de graça e, por isso mesmo, não custa nada!

aguarde cenas do próximo capítulo...

21 de março de 2011

Adeus. Adiós. Au revoir. Addio. Goodbye.

Tenho pensado muito no fato de ter que dizer adeus a coisas, pessoas, momentos e lugares. Isso porque estou me despedindo desta fase excelente que vivi em San Diego. Mas cheguei à conclusão de que estamos sempre dizendo adeus e isso não é necessariamente ruim.

Crescemos cercados de amigos, na escola, na faculdade, na vizinhança. Com quantos deles você tem contato frequente? Quantos abraços de adeus, mesmo que sem intenção, você deu naquela formatura? No fundo, aliás, acho que esse é um dos motivos pelos quais choramos tanto em formaturas.

Em busca de realização profissional, também abrimos mão de muita coisa. Às vezes vamos estudar longe, deixando para trás família, amigos e amores. Às vezes deixamos de lado salários maiores para manter o equilíbrio. E, na maioria das vezes, abrimos mão do equilíbrio em prol de salários maiores.

No fim, a vida é feita de decisões e para dar lugar a novas experiências é preciso praticar o desapego. Nunca sabemos o que nos espera ao virarmos a próxima esquina e o medo de tentar pode nos afastar da felicidade. Enquanto estivermos vivos deveríamos sempre assumir riscos com a mente aberta de quem pode voltar atrás se preciso for. Fato é que as experiências sempre trarão aprendizado e aquelas mesmas coisas, pessoas, momentos e lugares para quem você disse adeus estarão sempre com você.

Acredito que nenhum adeus seja definitivo. Desde que os sentimentos sejam verdadeiros, você sempre terá para onde voltar.

8 de março de 2011

Grande Rio, tem que respeitar

Dez e meia da noite e chove em San Diego como chove no Rio de Janeiro. O desfile da Grande Rio acabou de terminar e poucas vezes fiquei tão emocionada durante o Carnaval como hoje. A Grande Rio superou um incêndio que levou 90% dos carros e fantasias da escola e em 23 dias colocou um desfile lindo na avenida. Ouvi algumas vezes a palavra milagre, mas me desculpem os religiosos, milagre não faz Carnaval. O que faz Carnaval é a união de uma comunidade, é a vontade, a garra e a superação.

Fora do Brasil, é muito difícil explicar do que realmente se trata o Carnaval. Existe a tendência de pensar que são apenas alguns dias em que todos nós queremos encher a cara e andar nus. Mas como explicar a cultura, a emoção, a entrega? Como explicar o amor e a admiração? A superação da Grande Rio (e também da Portela e da União da Ilha) ficará marcada pra sempre na história do Carnaval brasileiro. Tem que respeitar. Eles fizeram bonito e com dignidade. Não teve fogo e nem água. Em 2012, segurem a Sapucaí, porque tenho certeza que a Grande Rio vem pra arrebentar.

Atualização: A MÚSICA VENCEU! Um registro da vitória da Vai-Vai, campeã do Carnaval 2011, que levou pra avenida a história do maestro João Carlos Martins.